Comportamento, Música

Vai Descendo até o Chão, Fazendo Nheco Nheco no Salão: Um estudo sobre o Lambadão Cuiabano e uma coletânea de seus maiores clássicos

08 JAN
2012
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Mais uma das façanhas de Dewis Caldas.

É com muito orgulho que publicamos aqui a coletânea e o trabalho realizado por nosso amigo, que para falar sobre a estrutura de comunicação das bandas de lambadão traçou as origens do estilo e fez um documento único sobre o estilo.

Esse ilustre filho de Chapadinha (MA), totalmente integrado à paisagem e cena cuiabana, nos conta um pouco de sua experiencia:

São 3h da tarde e estou no final do bairro Jardim Glória II, a 25 Km do centro de Várzea Grande. A rua não é asfaltada e acabei de bater palmas na frente de uma modesta oficina de concerto de TVs e rádios. Estou ali para conversar com o técnico em eletrônica Leonézio Batista da Silva, mas meu assunto é com o DJ Léo, apelido que Leonézio recebeu das bandas de lambadão da região. “Entra aqui no estúdio”, diz ele apontando para uma porta meio escondida lá no final das tranqueiras eletrônicas que concerta. Entro e me espanto: um aquário para captação de voz e instrumento, algumas guitarras e bateria, pro-tools, muitos fonogramas. E ele solta, “Boa parte das bandas da região gravam seus discos aqui”. A história do Dj Léo no lambadão tem mais de 25 anos. Já produziu inúmeras bandas, gravou shows históricos ao vivo e é o produtor musical da banda Real Som há 20 anos.

Dois dias antes, no bairro do Planalto, em Cuiabá, eu estava na sala do guitarrista Wilson Cigano gravando depoimentos sobre algumas experiências dele com carros de som, cartazes, rádios comerciais e comunitárias, e de que forma eles utilizam a internet. Ele projetou e mandou fazer uma estrutura com luzes e cenário exclusivo para gravar apresentações da sua banda, Os Ciganos, só para a internet, e já rende quase 1 milhão de acessos em seu canal no Youtube. “Gravamos quase todas as apresentações, desde festas de santo até show em comunidades indígenas pelo Estado”. A banda já lançou 16 discos e era formada por quatro irmãos, porém, um deles seguiu carreira solo.

Há tempos venho estudando o gênero musical e o mercado do lambadão. Meu interesse pelo ritmo vem mesmo antes de eu vir morar por aqui, há sete anos. Freqüentei festas e conversei com bandas em 2005, assim que cheguei, e retornei à pesquisa ano passado como tema do meu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo na UniRondon. O tema era o seguinte: a funcionabilidade da divulgação dos produtos das bandas de lambadão em Cuiabá e Várzea Grande. É, pense comigo: existem cerca de 100 bandas em todo Estado com expressiva produção de Cds, tem casas de shows próprias que comportam 1,5 mil pessoas fácil, e uma dezena de eventos semanais tanto em Cuiabá como em Várzea Grande, as casas de show lotam e na internet os vídeos tem boa audiência. Mesmo assim não aparecem em jornais impressos, nem em revistas, não tocam nas rádios de grande porte e muito menos algum artista de lambadão dá entrevistas para a TV sobre carreira ou mercado.

Mas o objetivo da pesquisa não era enfatizar ou procurar as razões deste “bloqueio” entre as mídias tradicionais e as bandas de lambadão. E sim, analisar as alternativas de comunicação que eles conseguiram estruturar para dialogar com seu público-alvo. Faixas pregadas em postes? Cartazes? Carro de Som? Internet? Rádios Comunitárias? Como a lambada chegou aqui? Quais as suas diferenças estéticas? Quem são os principais agentes da história do ritmo? Gravadoras?
Então, se interessou? Vamos lá!

Para entender o universo singular deste gênero musical, é imprescindível a leitura deste trabalho ao som da coletânea “Vai Descendo até o chão, fazendo nhéco nhéco no salão”, com 19 grandes sucessos da história do lambadão. Estão nela a primeira lambada gravado no Brasil, por Pinduca em 1976, o sucesso nacional “Toque Toque Dj”, a versão lambadeira da banda Real Som para a música Bad Romance, da Lady Gaga, e ainda grupos como Erre Som, Estrela Dalva e o Rei do Lambadão, Chico Gil. Veja, baixe!

Vai Descendo até o Chão, Fazendo Nheco Nheco no Salão by Lambadão Cuiabano

DOWNLOAD DA COLETÂNEA COMPLETA.

Dewis contou mais sobre suas experiências com o lambadão para a repórter Leidiane Montfort, do Jornal a Gazeta, de Cuiabá (clique aqui para seguir para a matéria).

Finalmente, caso queira saber mais sobre esse ritmo pop (em vários sentidos) e que pode muito bem estar próximo de se tornar um hype (como o Tecnobrega, de Belém), leia a monografia clicando aqui.

Finalizando, assista também o vídeo apresentado por Dewis durante a banca.

Imagem de Amostra do You Tube

O vídeo acima foi editado por Lucas Brandão Lopes, que também é nosso chapa, além de ser um Magro de Bigodes e um Coelho Famoso!

Publicado em Comportamento, Música por às 11:00
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