Critica e Músicas da Trilha Sonora: "Onde vivem os Monstros"
2010
Mais uma vez, novamente, Thiago Almeida, do Attik, volta em uma crítica cinematográfica. Antes de correr para ver com quem ele arranjará discussão dessa vez, fique sabendo que no fim do post estão as músicas da bela trilha sonora para você conferir.
Spike Jonze e as coisas selvagens de cada um
Devo confessar que tenho medo do Spike Jonze. Não que o cara seja um exemplo a não ser seguido quando se fala da sétima arte. Muito pelo contrário. Vindo do universo do videoclip – ele tem seu estilo estampado em clássicos de algumas bandas como Fatboy Slim, Beastie Boys, Daft Punk, REM e Björk (vamos ignorar suas várias participações em Jackass, ok?) – Spyke Jonze entrou com o pé direito no cinema com o cult “Quero Ser John Malkovich” (Being John Malkovich, 2000). Um filme excelente, que foi seguido por outro (“Adaptação”, 2002) que, pode não ser melhor na minha opinião, mas mantém o padrão elevado, e de ótimo bom gosto.
O medo que tenho do diretor é que, querendo ou não, seus filmes sempre são um tapa na cara de quem os assiste. Em Quero Ser John Malkovich, Jonze (apoiado pelo trabalho do roteirista, logicamente) brinca com a necessidade mórbida que temos de querer estar na pele de outra pessoa, e no momento em que ele nos faz rir de uma situação onde o “voyerismo” doentio impera, a gente percebe que estamos rindo de nós mesmo. Em Adaptação não é diferente. Os filmes de Jonze são um constante autoconhecimento, e neste Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are, 2009), que chega aos cinemas nesta sexta-feira (Nota do Factóide: Menos nas salas cuiabanas, aqui o mais perto de “onde vivem os monstros” é o filme da Xuxa e sua Feiurinha), isso é uma constante.
Adaptado do livro de mesmo nome, escrito por Maurice Sendak em 1963, Onde Vivem os Monstros conta a história de Max: uma criança com a imaginação muito fértil, que vive com sua mãe e sua irmã. Após uma briga com sua mãe, ele foge de casa e acaba em um mundo imaginário, onde vivem várias criaturas fantásticas.
Não espere que nesta nova produção você vá encontrar uma história tão complexa como nos dois últimos longas. O que impera em Onde Vivem os Monstros é a simplicidade, não só do roteiro escrito pelo próprio Spike Jonze, como a forma com o qual ele é conduzido. Os diálogos são diretos e a concepção artística não abre espaço para uma paleta de cores mais ampla, multicolorida, como geralmente acontece nos filmes infantis. O que vai reger a linha de ação neste filme é a atenção especial que o roteiro dá aos personagens. São eles a chave para o desenrolar da história.
Partindo deste princípio é importante ressaltar também que este filme não é necessariamente o que se pode chamar de filme infantil. Não compreenda mal: ele passa a mensagem, é divertido, mas é muito mais profundo do que apenas o clássico e manjado roteiro do “menino que briga com a mãe e depois se arrepende”.
Então, analisando mais profundamente a composição dos personagens a gente percebe que Max é uma criança com sérios problemas afetivos, que sua irmã é uma menina aparentemente distante da família e que sua mãe tenta estreitar os laços afetivos com seu filho, mas se divide com suas outras obrigações. Com base nessas informações, conseguimos construir ao lado do Max o mundo que ele cria em sua mente. O universo imaginário é basicamente um apanhado de representações e referências psicológicas que dificilmente uma criança entenderia, mas que nos faz ir mais fundo durante o pouco tempo de projeção. O que vemos no imaginário de Max é um reflexo de como ele vê as relações entre as pessoas com as quais ele convive.
Não é à toa que o monstro ao qual ele mais se identifica, o Carol, é a criatura mais violenta e instável de toda a comunidade de bichos que Max conhece. É uma representação clara do próprio Max e, como já é de praxe de Spike Jonze, nos leva a nos projetarmos para o personagem principal e analisar as nossas reações às coisas que nos rodeia. Assim como em seus filmes anteriores o espelho está levantado e chega a hora da autocrítica.
Outro ponto que também pode não agradar os pequeninos (e alguns adultos também) é a conclusão do filme, que deixa as convenções um pouco de lado ao empregar um final mais simples, onde pouco é dito mas muito é entendido. E isso não deixa de ser essencial pra trama, mantendo a simplicidade e tronando uma fábula maravilhosa mais realista, mas nem por isso menos emocionante.
Onde Vivem os Monstros é um filme lindo, inteligente e profundo. E hoje já figura na lista dos meus preferidos.
Cotação: 10, em 10
Thiago Almeida – O Inimigo dos Pseudodocs.
www.attik-music.com
www.myspace.com/attikbrazil
A Trilha Sonora:

A trilha é praticamente toda composta por Karen O, do Yeah Yeah Yeahs.
1. Igloo – Karen O And The Kids

2. All Is Love – Karen O And The Kids

3. Capsize – Karen O And The Kids

4. Worried Shoes – Karen O And The Kids

5. Rumpus – Karen O And The Kids

6. Rumpus Reprise – Karen O And The Kids

7. Hideaway – Karen O And The Kids

8. Cliffs – Karen O And The Kids

9. Animal – Karen O And The Kids

11. Heads Up – Karen O And The Kids

12. Building All Is Love – Karen O And The Kids

13. Food Is Still Hot – Karen O And The Kids

14. Sailing Home – Karen O And The Kids

Bônus:
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Gente eu adorei o filme. Gostaria de ler o livro e baixar a trilha sonora (que é demais). Alguém pode me enviar no meu e-mail, por favor? Abs.
Boa critica…traduz bem o filme! Parabens
Eu queria o link do livro e se possivel das musicas pra eu baixar!
Obrigado e parabens!
Se vc tiver a trilha sonora me manda por favor no mail, procurei e os que achei deu erro.
parábens pelo blog, adorei!
A trilha é fantastica!
E surpreendentemente a OST foi deixada fora do Oscar!
Gracas a sensibilidade que ainda existe ……
tua resenha foi muita livida e justa para com o filme
no Rio de janeiro(ja esperava por isso)a divulgacao e distribuicao do filme foi uma porcaria ,ou seja ,uma baita injustica
mas o filme nem de longe pretende ser um simbolo do automatismo e pragmatismo na qual jazem muitas producoes infatis,mais voltadas para a venda de produtos ,
este filme é um daqueles trabalhos q dá ao seu diretor o merito de coloborar pra um mundo mais sensivel,consciente e hoensto e encantador tb mesmo sem apelos
realmente é lindo e maravilhoso!
gostaria tb de receber o link do livro
obgado e saudacoes!
hei thiago me mande tb
;D
Olá, Tiago! Envie o link, por favor.
Brigadão!!
Thiago, manda o link, entao!!!!
Valeu!
Jonze conseguiu fazer um filme inimaginável pra esse material… aliás. uma das cenas mais doídas do filme vem de um momento não tão triste assim no livro. Ele pegou um conto ultra-rápido e o expandiu de uma forma extraordinária. O cara é FODA, só isso!
Quem quiser a copia do livro (que pode ser lido em cinco minutos), me dê um toque que eu mando o link!
Oii, eu quero o link do liro se você tiver!
manda ai : gustavo_alisson@hotmail.com
valeu