Cinema

Os Limites do Falso-Documentário

08 JAN
2010
135 Comentários

Thiago Almeida, do Attik,  nos apresenta sua Crítica ao filme “Contatos de 4º Grau”.

Após o lançamento de A Bruxa de Blair, em 1999, o mundo redescobriu uma linguagem cinematográfica pouco explorada até então. O que hoje é chamado carinhosamente pelos americanos de “mockumentary” (ou falso-documentário), chamou a atenção ao grande público pela sensação de veracidade que as histórias apresentadas (não somente em película, mas também em séries conhecidas) proporciona. Nessa onda entraram sucessos como Cloverfield – Monstro (Mat Reeves,2008) e o recente Atividade Paranormal (Oren Peli, 2009) – este último custou apenas US$ 15 mil e já rendeu mais de US$ 90 milhões no mundo todo – além de séries como The Office Reno 911. O objetivo da brincadeira é contar uma história, mesmo ficcional, como algo que realmente aconteceu.

Imagem de Amostra do You Tube

Na barca desta narrativa quase alternativa, chegou aos cinemas na última semana o thriller Contatos de 4º Grau (The Fourth Kind;Olatunde Osunsanmi, 2009). O filme retrata um acontecimento supostamente real no município de Nome, no Alaska, onde há vários relatos de desaparecimentos e acontecimentos estranhos com os moradores do local. Neste contexto entra a psicóloga Abigail Tyler, interpretada pela atriz Mila Jovovich, que, perturbada com a morte recente e misteriosa de seu marido, dá continuidade à investigação iniciada por ele quando percebe que parte de seus pacientes apresentam um comportamento parecido durante a noite: todos eles vêem algo parecido com uma coruja os observando durante a madrugada. O que parece uma coincidência se transforma em uma realidade assustadora quando se descobre que os desaparecimentos na cidade e as visões dos moradores estão relacionadas com supostas abduções.

Com base neste enredo misterioso, Contatos de 4º Grau eleva o “falso-documentário” a outro nível, apresentando ao espectador supostas gravações reais de sessões de hipnose e entrevistas com envolvidos no caso, entrelaçados por um ótimo trabalho de edição ao filme desenvolvido como uma espécie de reconstituição dos acontecimentos. O ponto de partida para a ação é uma entrevista realizada pelo diretor do filme, Olatunde Osunsanmi, com a própria Dr. Abigail Tyler em pessoa (ou não). À medida em que a entrevistada vai contando sua versão dos fatos, somos apresentados ao mesmo tempo às cenas “reais” entrelaçadas com a reconstituição, ou o filme em si.

Com um ritmo tenso, apesar de em alguns momentos apelativo, o filme consegue nos prender do começo ao fim, intrigados com os acontecimentos e com as assustadoras consequências dos avanços obtidos pela Dr. Abigail durante suas pesquisas. Os ângulos de câmera apresentados pelo diretor e a fotografia sufocante durante as cenas de reconstituição fazem um acorde perfeito e perturbador aliadas às supostas cenas reais que se movimentam e se comunicam entre si durante a projeção. Além disso, o filme inova do ponto de vista da história ao fazer uma abordagem mais espiritual do que físico/científica para os acontecimentos. Enfim, é um filme realmente bem executado, mas que peca (e muito) somente por um pequeno detalhe a seguir.

Durante a abertura da projeção, antes que o filme tenha início, somos apresentados pela atriz Mila Jovovich nos informando que o longa em que estamos prestes a assistir é baseado em fatos e imagens reais coletadas e cedidas pela doutora (o cartaz do filme também nos informa isso). Ela informa à platéia que interpretará a personagem principal da trama e que as cenas a seguir são perturbadoras. No entanto, com uma breve pesquisa na internet percebemos que o que o filme nos apresenta, na realidade, não se trata de uma história real. E que os registros da tal psicóloga Abigail Tyler são de um site viral criado pela própria distribuidora do filme.

Como se não bastasse, ao final do filme a atriz retorna a conversar com a câmera, juntamente com o diretor do filme, apresentando dados sobre as visitas do FBI ao município em que se passa a película. São dois momentos desnecessários, que estragam a experiência e empobrecem a narrativa, parecendo tentar convencer o expectador de que tudo aquilo realmente aconteceu. A sensação que fica é a extrapolação dos limites narrativos para que quem esteja assistindo acredite piamente no que é mostrado durante a projeção.

A dica é que se ignore esses pequenos trechos (que não passam de 5 minutos) e aproveitem o restante do filme, que é muito bom e merece atenção.

Cotação: 8, em 10

Thiago Almeida, é Jornalista, DJ e Produtor de Música de Eletrônica no duo Attik, Cinéfilo e não muito bem visto por eco-chatos.

PS.: Leia a outra critica de Thiago, sobre o filme “Onde Vivem os Monstros”.

Publicado em Cinema por admin às 16:00
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COMENTÁRIOS

135 manifestações para esse post

  1. Você ainda não respondeu…

  2. O filme é muito bom, ms fiquei mais perturbado com a apresentação da atriz do que com o filme propriamente dito!

  3. Concordo plenamente com o Reinaldo…fui toda empolgada pra assistir atividadeparanormal….
    e chega lah,…akele lixo..
    ¬¬

  4. Faço das palavras de @Thais Medeiros minhas palavras, já desconfiava de ser uma historia falsa, até que cheguei a seu blog e gostei dessa resenha.. mas confesso também que de fato fiquei intrigado durante o filme e pensativo depois..

    Mais achei melhor que atividade paranormal.

    Valeu, abraço.

  5. medo de ver esse filme e do comentario do anonimo..

  6. Parafraseando o próprio filme: “assistam e tirem as suas conclusões”.

    A minha foi: “Jogada de marketing”. Mas nem por isso o filme é ruim, é muito bacana.

  7. Eu gosto desse tipo de filmes, uma boa ficção.

  8. Thaigo vi o filme… essas coisas realmente existem falo isso porque trabalho com isso, e o pior trabalho do mundo saber da verdade e não poder falar o que realmente esta acontecendo…
    minha intenção jamais e vir através do post tentar convencer você a acreditar…

  9. Ainda hoje, vai rolar a critica do Thiago Almeida para “Onde Vivem os Monstros”!

  10. Bom, só gostaria de acrescentar algo. Não leve sua namorada para assistir, ela não vai gostar e vai te obrigar a assistir Lua Nova depois.

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